Resenha | 1984


Ao lado de “A Revolução dos Bichos”, o livro “1984” é um dos mais famosos de George Orwell. A obra já ganhou versões de filmes, minisséries, quadrinhos, traduções para 65 países e uma polêmica fama, que não é à toa! Em seu último romance, o autor criou um personagem chamado Winston, que vive aprisionado em uma sociedade completamente dominada pelo Estado. Essa submissão ao poder, é relatada, inclusive, na rotina desse personagem, que trabalha com a falsificação de registos históricos, a fim de satisfazer os interesses presentes. Winston, contudo, não aceita bem essa realidade, que se disfarça de democracia, e vive questionando a opressão que o Partido e o Grande Irmão exercem sob a sociedade. A inspiração do livro vem dos regimes totalitários das décadas de 30 e 40 e, é assim, sob a ótica da ficção, que o autor faz com que seus leitores reflitam sobre o sistema de controle, que depois de tanto tempo ainda é muito questionado.

Título 1984| Autor (aGeorge Orwell
Editora Companhia Das Letras | Páginas 416 | Ano 2009
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Confesso que um dos meus maiores pecados literários até o momento fora não ter lido nenhuma das obras  de George Orwell, talvez por preguiça ou pura ignorância. Porém, navegando  em meio a turbulência política que o Brasil e o mundo enfrenta, acabei sendo atraído a conhecer a obra.

1984 apresenta uma distopia onde o mundo fora dividido em 3 grandes estados: a Oceania, a Lestasia e a Eurasia. Adentramos o universo pelo ponto de vista de Winston Smith, um homem comum, responsável por editar e reeditar fatos, números e acontecimentos na história impressa de Oceania, de acordo com o bem querer do "Partido". 

O Partido é o governo de Oceania e partilha dos seguintes lemas: "Guerra é paz, Liberdade é  escravidão e Ignorância é forca". E seu objetivo é o poder e sua perpetuação. O Partido se impõe de forma totalmente totalitária, onde a mentira se torna verdade se assim lhe convir, onde 2+2 = 5 se O Partido disser que sim. 

Sim, O Partido governa através de uma perversão do socialismo. Assim como o comunismo e o fascismo, porém com características extrapoladas, ou nem tanto. 

O Partido utiliza das seguintes ferramentas para controlar a população: a teletela, uma fusão de televisão, câmera e escuta para espionagem. O Duplipensamento, um método responsável pelo autoconvencimento de que seu raciocínio esta errado e o que vale é a diretriz imposta pelo partido. E a arma mais perigosa de todas: Novilíngua, uma língua responsável pela remoção  de determinadas palavras, enxugando o idioma de uma forma que restringe ao máximo a externalização de pensamentos. 

Mas o que realmente coloca o livro no mais alto patamar da literatura é o fato dele servir de plano de fundo para quase todo contexto político, seja ele regional ou mundial. Se  analisarmos o lema do Partido no contexto atual, por exemplo: "Guerra é paz..."  pode remeter aos interesses em guerras infindáveis, como as guerras americanas contra o "terrorismo", comunismo, o narcotráfico. "Liberdade é escravidão..." faz referência a necessidade do estado, julgar o que é prioridade ao indivíduo, chegando a um patamar onde muitos indivíduos anseiam por esse cabresto. Vide as interferências pontuais do governo brasileiro  na economia, por exemplo.

"Ignorância é força" ... no livro remete ao pleno funcionamento orgânico do partido, onde cada membro é uma extensão do partido e abdica de qualquer pensamento individual, se tornando praticamente um receptáculo do mesmo. Podemos trazer para o contexto atual facilmente com inúmeros comportamentos de manada presenciados inúmeras vezes nas redes sociais e até mesmo por cidadãos seduzidos facilmente por políticas populistas.

Infelizmente o livro publicado em 1949, parece que não se tornará  datado nunca,  a ficção política nos assombra com a imensidão de paralelos que enfrentamos hoje com estados completamente intransparentes, movidos pela ganância e perpetuação no poder.

Ler 1984 é um ato de legítima defesa, onde a cada página aprendemos como as engrenagens realmente funcionam na história política da humanidade.

Enquanto eles não se conscientizarem, não serão rebeldes autênticos e, enquanto não se rebelarem, não têm como se conscientizar.


GEORGE ORWELL pseudônimo de Eric Arthur Blair, nasceu em 1903, na Índia, onde seu pai trabalhava para o império britânico, e estudou em colégios tradicionais da Inglaterra. Jornalista, crítico e romancista, é um dos mais influentes escritores do século XX, famoso pela publicação dos romances A revolução dos bichos (1945) e 1984 (1949). Morreu de tuberculose em 1950.

Um comentário:

  1. A primeira vez que eu fiz essa leitura, foi para um trabalho no colégio. Por ter lido com aquela sensação de obrigação e de "preciso de nota", não consegui dar a devida atenção pro enredo. Fui reler a história depois de adulta e consegui prestar atenção em todos os detalhes. Foi uma das melhores leituras que eu fiz do autor e do gênero. <3

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